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    19 de julho de 2023
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No ano de 2019, o mundo passou a ter ‘mais avós do que netos’ pela primeira vez na história. O dado foi constatado a partir das estimativas populacionais da ONU (Organização das Nações Unidas), que apontaram que naquele ano a população mundial abrangia 705 milhões de pessoas acima de 65 anos e 680 milhões entre zero e 4 anos. Essa tendência já havia sido prevista pelas estimativas, e deve se manter pelas próximas décadas. Estudos demográficos provam que, na grande maioria dos países, as pessoas estão vivendo mais e tendo menos filhos. O aumento da expectativa de vida é um dado que chama a atenção também no Brasil. Os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que uma pessoa nascida em 2023 tem a expectativa de viver, em média, 77,4 anos (73,9 para homens e 80,8 anos para mulheres). Ao observar o mesmo dado em décadas anteriores, a rapidez do aumento é evidente. No ano de 1940, a expectativa de vida do brasileiro era de 45,5 anos. Em 2023, é de 77,4 anos. Isso representa um aumento de mais de 70%. Ainda segundo o IBGE, a projeção é que em 2060 esse índice chegue aos 84,4 anos. SC no topo: Entenda o que influencia nos números de expectativa de vida Santa Catarina ocupa lugar de destaque nesse contexto: é a 1ª do ranking dos estados brasileiros com maior expectativa de vida. O catarinense nascido em 2023 tem expectativa de viver 80,9 anos (homens 77,7 anos e mulheres 84,1 anos). A estatística é um indicador positivo para o Estado. “É um marcador de qualidade de vida, e isso está relacionado com a saúde. O conceito de saúde é amplo, não é só a ausência de doenças, mas um estado completo de bem-estar físico, mental e social”, esclarece a médica geriatra Sônia Tessmann, que atua na Capital catarinense. Ela reforça que o aumento da longevidade de uma populaçãodepende fundamentalmente de fatores como o fomento às condições da população manter uma vida ativa, com possibilidades de praticar exercícios físicos e lazer.

Além disso, a garantia do acesso à saúde, educação, cultura e a elevação da renda mensal fazem muita diferença nessa conta.

“O envelhecimento saudável está relacionado com questões genéticas e ambientais. O Brasil é muito heterogêneo, e Santa Catarina se desponta em alguns critérios. Podemos citar por exemplo a facilidade do acesso às belezas naturais, esse contato com a natureza é um estímulo a atividade física e a uma vida saudável que nem todos os lugares oferecem. Isso se soma ao acesso à cultura, internet, lazer, etc. São muitas variáveis que impactam no bem estar e na saúde de uma população”, conclui Tessmann.

A professora do departamento de sociologia e ciência política da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Márcia Grisotti, vai de encontro com a percepção da geriatra, e destaca o modelo de desenvolvimento econômico catarinense.

“É importante levar em consideração esse desenvolvimento que é, de certa forma, bastante diferenciado do restante dos estados brasileiros. Você tem um Estado que tem um foco e um desenvolvimento econômico baseado nas pequenas e médias propriedades, você tem parque industrial e tecnológico bem diversificado, tudo isso leva a um desenvolvimento mais equilibrado.

E também economicamente mais sustentado. Não é que aqui não tenha pobreza, não tenha problemas, claro que tem, mas esse desenvolvimento um pouco mais equilibrado propicia a potencialidade para pensar modelos de atenção à saúde, principalmente da população idosa”.

Conjuntura que já leva Santa Catarina a ter uma alta população acima dos 60 anos. O Estado tem a 5ª maior proporção de idosos no Brasil, percentual que saltou de 11% em 2012 para 15,2% em 2021 – é o grupo etário que mais cresceu no Estado em todo o período. A concentração de idosos é maior que a média do Brasil (14,7%). Ao todo, são 1 milhão e 116 mil pessoas que se enquadram neste grupo. O Rio de Janeiro (19,2%) detêm o maior percentual, e Roraima (7,7%), o menor.

“Bomba que vai estourar lá na frente”: a sociedade está preparada paralidar com o aumento da população idosa?

Santa Catarina está na ponta de uma tendência não só do Brasil, mas mundial. Estudiosos do assunto sustentam que há muito a ser feito para conseguir lidar com a “inversão da pirâmide”, que é inédita na formação da sociedade que conhecemos.

Isso porque, apesar do dado do aumento da expectativa ser uma notícia boa – afinal, estamos vivendo mais -, a mudança do perfil da população provoca situações em que não estamos tão bem preparados assim.

“Por um lado, sim, é uma realidade nova, masera previsível. Sabia-se que a população idosa iria aumentar. E pouco foi feito. As medidas que estão sendo adotadas, tanto na tomada de decisão de políticas públicas, quanto do ponto de vista da sociedade, elas são muito incipientes, descoordenadas”, avalia Márcia Grisotti, que entende o envelhecimento como um fato “social, econômico e político”, e ainda vê um grande déficit quando o assunto é a saúde da população idosa.

“Os cuidados são muito fragmentados, e um profissional de saúde precisa conhecer o paciente para poder dar conta dele. Aliado a isso, você precisa ter uma produção de conhecimento de todos os profissionais que são formados na universidade melhor preparados. Essa discussão é muito recente dentro das universidades, mas é imprescindível”, diz. A professora ressalta ainda a falta deacompanhamento e especialização no assunto, inclusive no setor privado.

“Você tem uma pulverização de empresas que contratam profissionais para fazer atendimento domiciliar, quem tem condição de pagar pode usufruir desses serviços. Mas mesmo assim,ainda não há uma avaliação.

Os problemas que acontecem, por exemplo, nada disso é analisado. Faltam até mesmo consultorias para que isso seja de certa forma minimizado, controlado, melhorado”, aponta Grisotti. Para a médica geriatra Sônia Tessmann,a velocidade com que ocorreu a inversão da pirâmide demográfica é um dos principais fatores que explicam a falta de preparo.

“Aqui no Brasil em 50 anos houve uma triplicaçãoda população idosa, numa velocidade absurda. Isso é uma tendência mundial. Vai ser uma bomba que vai estourar lá na frente se nós não começarmos a pensar como resolver esse problema.

Para melhorar a vida das pessoas com mais de 60 anos,tem que ter desenvolvimento e implantação de políticas, investimentos pensando na saúde, na educação, na habitação, na segurança. Precisa tertambém mais indexadores como o IDH, o IDL, enfim, para mostrar para a sociedade como está essa população, como ela está envelhecendo,quais são as carências dela, o que precisa ser implementado para melhorar a qualidade de vida e a saúde desses idosos. Acho que Santa Catarina até está avançada em comparação a outros estados, mas tem muito a se fazer ainda”, diz.
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